Doença de Parkinson


Embora você possa usar medicamentos para a doença de Parkinson a fim de melhorar a função motora, é possível que, ao longo do tempo, eles percam a sua eficácia, causem efeitos colaterais, ou ambos. Além disso, como a patologia progride, os níveis de medicamento que são necessários para o controle da função motora podem causar efeitos colaterais intoleráveis ou indesejáveis.

    O que é a Estimulação Cerebral Profunda para Doença de Parkinson?


    A medida que a doença de Parkinson progride, é provável você notar que a medicação não é mais capaz de controlar adequadamente os seus sintomas. Se isso acontecer, o médico pode recomendar o tratamento com Estimulação Cerebral Profunda (DBS), também usada para tratar outros distúrbios, tais como Distonia e Tremor Essencial.

    DBS não é indicada para todos os pacientes, nem para todos os distúrbios de movimento, por isso é importante conversar com seu médico sobre os potenciais benefícios e riscos. Esta conversa irá ajudá-lo a determinar se DBS é a terapia mais eficaz para os seus sintomas específicos.

    Potenciais Benefícios

    Nos pacientes indicados, DBS pode oferecer períodos mais longos de alívio dos sintomas motores, como tremores, rigidez e movimentos lentos. Pode também reduzir a frequência e duração dos movimentos involuntários anormais (Discinesia) que ocorrem frequentemente como efeito secundário da medicação. No geral, estes benefícios podem melhorar a qualidade de vida.

    Além disso, em alguns casos, se com a DBS for possível alcançar um controle eficaz dos sintomas, você pode reduzir a quantidade de medicação que precisa tomar. Isto pode ser particularmente favorável durante a gravidez.

    DBS é reversível, já que o neuroestimulador pode ser desligado a qualquer momento e pode ser removido, se necessário, em uma cirurgia adicional.

    Quem é candidato para DBS?

    Nem todos os pacientes são candidatos para DBS e você deve sempre consultar um médico e um especialista na terapia. As seguintes perguntas podem ser úteis para avaliar se você pode ser um candidato ou não:

  • i. Você tem Parkinson há pelo menos 4 anos?;
  • ii. Você sofre de sintomas que causam desconforto e interferem com suas atividades diárias?;
  • iii. Está tomando qualquer dopaminérgico diariamente (por exemplo, Levodopa, Sinemet, Stalevo, Parcopa, Co-careldopa, Co-beneldopa)?;
  • iv. Você nota alguma melhora dos sintomas quando toma medicação?;


  • Se você respondeu "sim" a algumas das perguntas acima, você pode consultar o seu médico sobre a opção da terapia DBS. Apenas um neurologista ou neurocirurgião podem determinar se ela é indicada para um paciente.

    Estes são alguns dos fatores considerados por um especialista para determinar se você é ou não candidato:
  • i. Você deve estar fisicamente apto para ser submetido à cirurgia;
  • ii. Você não deve ter dificuldades cognitivas significativas ou demência;
  • iii. Você deve compreender a natureza da terapia e ser capaz de operar o controlador do neuroestimulador;
  • iv. Você deve fazer consultas de acompanhamento regularmente.


  • O que acontece quando faço o tratamento com DBS?

    A duração e os processos cirúrgicos podem variar dependendo do tipo de sistema usado, mas, em geral, a cirurgia para implantar o sistema DBS dura várias horas. A internação é de, geralmente, alguns dias, e inclui uma avaliação pré-cirúrgica, a cirurgia e a cicatrização antes do paciente ter alta para ir para casa.


    A equipe cirúrgica inclui um neurologista, um neurocirurgião especializado em DBS, um anestesista, um radiologista e outros profissionais da saúde. Os componentes de um sistema DBS são:

    Neuroestimulador: este dispositivo, semelhante a um marca-passo, é o sistema de fornecimento de energia. Existem diferentes tipos de estimuladores recarregáveis e não recarregáveis, e cada um contém uma pequena bateria e chip de computador programado, com o propósito de enviar impulsos elétricos para controlar os sintomas do Parkinson.

    Eletrodo: é um cabo isolado, com quatro pólos que transmitem corrente elétrica para o cérebro.

    Extensão: trata-se de um fio isolado que é colocado sob o couro cabeludo e acima do crânio para ligar o eletrodo, que se estende por trás da orelha, corre ao longo do pescoço para o peito, abaixo da clavícula, onde se liga ao neuroestimulador.

    Programador: o médico usa este programador externo para configurar os parâmetros de estimulação. Cada paciente responde ao tratamento DBS de forma diferente, assim, o programador vai ser usado para personalizar os sinais enviados para o cérebro.

    Pós-cirurgia e Recuperação

    Cicatrização

    O paciente deve estar em condições de voltar para casa alguns dias após a cirurgia e a cicatrização vai continuar por várias semanas. O seu médico ou enfermeira lhe dará instruções sobre os cuidados que deve ter em casa e quando você poderá voltar para suas atividades diárias. É normal o paciente sentir dor ou desconforto em lugares onde foram feitas as incisões e a equipe de cuidados irá explicar como controlar esses sintomas com medicação. O dispositivo será ligado na primeira sessão de programação. Nesse ponto a medicação para o Parkinson também poderá ser ajustada.

    Programação

    O objetivo da programação é controlar os sintomas, enquanto se minimizam os efeitos colaterais. A programação começa após a cicatrização completa da cirurgia e o paciente deve participar de várias sessões de acompanhamento para ajustar as configurações para obter um controle mais eficaz dos sintomas. As configurações podem ser ajustadas quantas vezes forem necessárias para acomodar as mudanças nos sintomas que ocorrem com a progressão do Parkinson.

    Se, apesar dos ajustes na programação, o nível de controle esperado dos sintomas não é alcançado, pode ser necessário recorrer à cirurgia para reposicionar ou substituir os eletrodos ou substituir o sistema ou remover o sistema. Há certos dispositivos que incluem um controlador que permite ligar e desligar o sistema, ajustar a estimulação e verificar a bateria.

    Atividades Diárias e Exercício

    Durante a recuperação você deve seguir as instruções da equipe de cuidados em relação a determinadas atividades, que incluem flexão do pescoço, levantamento dos braços acima dos ombros ou atividades vigorosas, como levantar objetos pesados.

    O paciente deve ser cuidadoso ao fazer atividades que podem resultar em acidentes ou quedas, já que as mesmas podem danificar partes do sistema DBS. Isso pode resultar na necessidade de uma cirurgia adicional para substituir os componentes danificados. Movimentos bruscos também podem causar o movimento do eletrodo no cérebro.

    Quando é necessário consultar um médico?

    É necessário consultar a equipe de DBS se o paciente:
  • i. Sofre dor, vermelhidão ou inchaço no couro cabeludo, pescoço ou no peito, onde foi implantado o sistema de estimulação;
  • ii. Não há alívio dos sintomas, embora o neuroestimulador esteja ligado;
  • iii. Sofre desconforto ou sensações de dor durante a estimulação (desligue o neuroestimulador antes de chamar o médico);
  • iv. Sofre mudanças inesperadas nos sintomas;
  • v. Sofre sintomas incomuns que possam ser causados por interferências eletromagnéticas (por exemplo, detectores de roubo ou scanners de segurança do aeroporto);
  • vi. O paciente perde o programador;


  • Dicas Úteis

  • i. O paciente deve informar que tem um sistema DBS implantado para qualquer profissional de saúde que for realizar um outro tratamento, bem como indicar a localização do mesmo;
  • ii. Consulte o seu médico caso qualquer sintoma anormal, que pode estar relacionado ao neuroestimulador, apareça;
  • iii. O paciente deve comparecer a todas as consultas de acompanhamento para receber os melhores cuidados e atenção;
  • iv. Quando o neuroestimulador é desligado, os sintomas reaparecem. Alguns sintomas voltam rapidamente, enquanto outros podem reaparecer depois de um tempo.

  • *As informações publicadas nesta página não substitui o conselho médico profissional. Sempre consulte um médico para um diagnóstico e tratamento ajustado ao seu caso.

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