Como funciona o uso de implantes no tratamento da dor crônica?

implantes no tratamento da dor crônica

Neurocirurgião Marcelo Quesado explica em entrevista as etapas do uso de implantes no tratamento da dor crônica e outras questões relacionadas ao tema

Em entrevista para a rádio CBN, o neurocirurgião Marcelo Quesado contextualizou o uso de implantes no tratamento da dor crônica, chamado de neuromoduladores, explicando as etapas envolvidas e como essa intervenção pode livrar o paciente do incômodo.

A dor crônica é caracterizada por ser persistente por semanas ou até anos, mesmo após o tratamento convencional de sua possível causa. Com o tempo, a situação acaba gerando um impacto negativo na vida do paciente, seja em âmbito pessoal ou profissional.

Ela pode acometer qualquer parte do corpo e surgir em virtude de um trauma nos nervos ou outra complicação, sendo que um dos locais mais comuns de ocorrência é a região da lombar.

Durante a conversa, o neurocirurgião explica que a lombalgia é um problema recorrente entre a população e que, dependendo de sua complexidade, a dor pode ser incapacitante o suficiente para deixar o indivíduo acamado por pelo menos 24 horas. “Esse é um impacto muito importante na vida do ser humano”, apontou.

Atenção redobrada no home office

Relacionando com o momento atual, em que o home office se tornou uma realidade para muitas pessoas durante a pandemia da COVID-19, o doutor aponta não apenas a necessidade de se atentar à questões de ergonomia que podem levar a esse quadro de dor, mas à importância de cuidar da mente, pois os aspectos psicológicos também contribuem para o problema.

“Certas pessoas estão se estressando mais no home office do que na própria empresa. Seja por não colocar limite no horário de trabalho, seja por não relaxar em relação ao número de reuniões, de videoconferências. Então, é preciso ter disciplina” defende.

Juntamente a isso, ele destaca que a prática de atividade física, mesmo em casa, é fundamental para evitar e combater a dor crônica. 

“Uma das questões muito importantes em lidar com a dor crônica e da lombalgia é o sedentarismo. Atividade física, alongamento, exercícios são extremamente importantes para manter a qualidade de vida”.

O uso de implantes no tratamento da dor crônica

Falando sobre a técnica de tratamento da dor crônica que utiliza implantes estimuladores, a chamada neuromodulação, Marcelo reforça que essa é uma modalidade indicada no contexto em que o paciente já esgotou todas as possibilidades de terapia anteriores.

Essa alternativa funcional é indicada para o combate à dores em diversos locais, seja no nervo trigêmeo, lombar, cervical ou no braço, por exemplo. 

Além disso, ela também pode ser utilizada para o controle de crises convulsivas, melhoria da rigidez muscular e de distúrbios urinários. “A estimulação elétrica vai tentar fazer uma modulação da função que foi descontrolada”, explica o cirurgião.

Ele conscientizou ainda que o tratamento é dividido em duas etapas. Primeiramente, é imprescindível a realização de uma fase de teste antes do implante definitivo, que poderá analisar a resposta do indivíduo ao método. 

Para encontrar o ponto exato de incômodo, o procedimento utiliza uma sedação leve, que permite a participação do paciente para guiar o estímulo elétrico à região afetada. Se o bem-estar do paciente for comprovado e não houver nenhuma reação adversa, aí sim é possível seguir com a terapia.

Contraindicações

As limitações para a realização do procedimento são pequenas e ele só não é recomendado para aqueles com algum tipo de infecção ou risco cirúrgico elevado. A cirurgia é baseada em anestesia local e sedação, sendo um processo bem simples e minimamente invasivo.

As reações adversas no pós-cirúrgico envolvem infecção no local e alergia aos materiais utilizados, que segundo o médico também ocorrem em casos isolados.

Ouça a entrevista completa:

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